domingo, 11 de julho de 2010

DANIEL, OBRIGADO

[caption id="attachment_356" align="aligncenter" width="360" caption="DANIEL, OBRIGADO PELA HOMENAGEM."]MAIS UMA DO METEÓRICO[/caption]

O menino devia ter uns 16 anos. Usava o cabelo espetado para cima e gesticulava muito. Ao chegar na produtora foi logo dizendo o que queria:
- Vim fazer um vídeo para mandar pra MTV.
- Como assim, é um concurso, promoção?
- Não, eu que nasci para estar de frente as câmeras.
- Como é o seu nome?
- Dudu.
- De Eduardo?
- Não, Dudu de Fernandúúúúúúúú.
Impressionou.
Dez anos atrás não se falava ainda em guerrilha, mas esse meu primeiro encontro com o Dudu foi impactante. Dono da Globo-Video locadora, ali na Rondon, também se dizia palestrante para menores aprendizes e cineasta por paixão. A preferência era por filmes adultos, mas em um mundo tão precoce vai querer questionar. Ele era assim: elétrico.
Suas múltiplas facetas o fizeram fotógrafo, produtor, marketeiro.
Guerrilheiro! Lhe dê um tema e leve várias idéias. Me fez comprar um all star para quebrar a seriedade do meu figurino nas reuniões.
Viveu os últimos 10 anos a mil e incomodando os que passavam mil anos a 10. Cada um que esteve do seu lado tem uma história. Ele tinha várias. Das reais às fantasiosas. Não importava. Era o carinha dos cabelos espetados, ou moicano, ou azuis, ou raspados, com mechas, de chapéu, enfim, a inspiração para camaleão que cravou na pele junto a tantos outros desenhos.
Agora essa sua última idéia talvez tenha sido a mais genial.
Conseguiu que todos os amigos parassem, pensassem, se questionassem. Juntos com a mesma fé e esperança. A de que ele voltasse. Para a frente das câmeras como era seu sonho realizado. Ou para os bastidores onde a alegria era garantida.
Este ano estrearia seu programa solo. Mas o Dudu não esperou. Preferiu protagonizar outro espetáculo. Tudo muito rápido, como ele. Pegando todos de surpresa e gerando um grande buzz, do jeito que gostava. Seu ícone no MSN está ali no canto, agora apagado.
Nas nossas boas lembranças está mais aceso do que nunca.
Vá em paz, Dudu. E vê se não fala tanto na cabeça Dele, pois até o céu tem limites. Você é que não tinha.
Por Daniel Labanca, neste estranho
27 de novembro de 2009

Nenhum comentário:

Postar um comentário